A possibilidade de clubes mexicanos voltarem a disputar a Copa Libertadores ganhou força nos últimos dias. A Liga MX e a Federação Mexicana de Futebol voltaram a trabalhar para recuperar o espaço que o país teve durante quase duas décadas na principal competição de clubes da América do Sul.
O presidente da Liga MX, Francisco Iturbide, confirmou que foram feitos pedidos formais à Concacaf e à Fifa para que equipes mexicanas possam retornar às competições organizadas pela Conmebol, principalmente como convidadas.
Apesar da movimentação, o projeto ainda está em uma fase inicial e enfrenta um obstáculo importante: a Fifa já sinalizou negativamente ao pedido inicial, seguindo uma orientação de evitar competições continentais com clubes pertencentes a confederações diferentes.
México quer voltar ao cenário sul-americano
Os clubes mexicanos participaram da Libertadores entre 1998 e 2016.
Durante esse período, equipes como Cruz Azul, Chivas Guadalajara e Tigres chegaram a disputar finais da competição, mas nenhuma conseguiu conquistar o título.
O Cruz Azul foi vice-campeão em 2001, o Chivas perdeu a decisão de 2010 e o Tigres terminou como vice em 2015.
A saída aconteceu em meio a mudanças no calendário da Libertadores e dificuldades para conciliar as partidas da competição com o calendário mexicano. Em 2016, os clubes mexicanos fizeram suas últimas participações.
Agora, uma década depois, a Liga MX tenta reabrir essa porta.
Pedido já foi feito
De acordo com Francisco Iturbide, a Liga MX e a Federação Mexicana já apresentaram solicitações à Concacaf e à Fifa.
A ideia é que os clubes mexicanos possam participar como convidados das competições sul-americanas.
O projeto não envolve apenas a Libertadores. A intenção também inclui a possibilidade de participação na Copa Sul-Americana.
O problema é que a Fifa atualmente trabalha com uma política que dificulta a participação de clubes de diferentes confederações em uma mesma competição continental.
Por isso, o retorno não depende apenas de uma decisão da Conmebol.
E a Conmebol?
A situação é justamente onde existe uma das maiores possibilidades de negociação.
A Liga MX precisa convencer diferentes entidades para que o projeto avance.
O México pertence à Concacaf, enquanto a Libertadores é organizada pela Conmebol.
Por isso, uma eventual volta exigiria um acordo que envolvesse as duas confederações e a Fifa.
A Conmebol aparece como uma possível interessada no retorno, principalmente pelo potencial comercial e esportivo que os clubes mexicanos podem acrescentar à competição. Mas, até o momento, não existe um acordo oficial que confirme a participação mexicana.
Por que o México quer voltar?
A justificativa apresentada pelos dirigentes mexicanos é principalmente esportiva.
A Liga MX entende que seus clubes precisam de mais confrontos internacionais de alto nível.
Atualmente, os principais clubes mexicanos enfrentam adversários da Concacaf, especialmente em competições regionais, mas a Libertadores proporcionaria confrontos contra gigantes como Flamengo, Palmeiras, River Plate, Boca Juniors, Atlético-MG e outros clubes tradicionais do futebol sul-americano.
A experiência também poderia ajudar na evolução dos próprios jogadores.
Uma Libertadores com mexicanos seria mais forte?
Essa é uma das principais discussões.
A entrada de clubes mexicanos acrescentaria um novo mercado à competição.
O México possui uma das maiores economias esportivas das Américas e clubes com grande capacidade comercial.
Equipes como Club América, Chivas, Tigres, Monterrey e Cruz Azul possuem torcidas numerosas e forte presença comercial.
A entrada dessas equipes poderia aumentar o interesse internacional pela Libertadores.
Também existiria um impacto potencial nos direitos de transmissão e patrocínios.
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O histórico mexicano pesa
Não seria uma novidade absoluta.
Os clubes mexicanos já demonstraram que conseguem competir na Libertadores.
O Tigres, por exemplo, chegou à final de 2015.
O Chivas também alcançou a decisão em 2010.
E o Cruz Azul disputou a final de 2001.
Ou seja, existe um histórico de competitividade.
O retorno também permitiria recuperar uma rivalidade que marcou a Libertadores durante os anos 2000 e início dos anos 2010.
A grande barreira é a Fifa
No momento, esse é o principal problema.
Segundo as declarações de Iturbide, a negativa inicial está relacionada justamente à orientação da Fifa para que competições de clubes organizadas pelas confederações não misturem equipes de diferentes regiões.
Isso significa que a Liga MX terá de convencer não apenas a Conmebol, mas também a Concacaf e a Fifa.
A entidade mexicana, porém, não pretende abandonar o projeto.
A ideia é continuar negociando e encontrar um modelo que permita a participação sem comprometer o calendário das competições da Concacaf.
E 2028?
A possibilidade de um retorno em 2028 aparece como um horizonte discutido para o projeto, mas é importante fazer uma ressalva: não existe, neste momento, confirmação oficial de que clubes mexicanos disputarão a Libertadores de 2028.
As conversas ainda estão em fase inicial e o pedido enfrenta resistência.
Portanto, tratar 2028 como uma data definida seria precipitado.
O cenário atual é de negociação.
O que precisaria acontecer?
Para o projeto avançar, alguns pontos precisariam ser resolvidos.
1. Fifa:
A entidade teria de aceitar uma exceção ou alterar sua orientação sobre a participação de clubes de diferentes confederações.
2. Concacaf:
A confederação da América do Norte precisaria autorizar seus clubes a disputar uma competição organizada pela Conmebol.
3. Conmebol:
A entidade sul-americana precisaria definir como seriam as vagas mexicanas e o formato da participação.
4. Calendário:
Seria necessário encontrar espaço para os jogos sem prejudicar as competições nacionais e da Concacaf.
5. Formato:
Ainda seria necessário definir se os mexicanos entrariam como convidados ou através de algum sistema específico de classificação.
O calendário é um dos grandes desafios
Esse ponto foi um dos motivos que dificultaram a permanência mexicana na Libertadores no passado.
O futebol mexicano possui seu próprio calendário, enquanto a Libertadores exige uma grande quantidade de partidas durante a temporada.
Além disso, os clubes mexicanos disputam competições da Concacaf e torneios nacionais.
Uma eventual volta precisaria encontrar uma solução para evitar uma sobrecarga de jogos.
A Libertadores também ganharia novos confrontos
Imagine uma fase de grupos com:
Flamengo x América-MEX
Palmeiras x Tigres
River Plate x Monterrey
Boca Juniors x Chivas
Seriam confrontos com enorme potencial de audiência.
Além da rivalidade esportiva, existiria uma disputa comercial importante.
O México possui um mercado consumidor gigantesco e uma forte presença no futebol internacional.
Por isso, a possível volta dos mexicanos pode interessar não apenas aos clubes, mas também aos organizadores da competição.
A Libertadores pode se tornar mais internacional
A discussão acontece justamente em um momento em que as grandes competições de clubes estão buscando ampliar seu alcance.
A própria Libertadores já possui uma dimensão continental muito forte, mas a presença mexicana poderia aumentar ainda mais a exposição internacional do torneio.
Por outro lado, existe uma discussão importante sobre identidade.
A Libertadores foi criada como uma competição entre clubes da América do Sul.
A entrada de equipes de outras confederações poderia abrir um precedente para novas mudanças no futuro.
México já teve grandes campanhas
A história mexicana na Libertadores não foi pequena.
Os clubes do país disputaram três finais e chegaram muito perto do título.
O Cruz Azul perdeu para o Boca Juniors em 2001.
O Chivas foi derrotado pelo Internacional em 2010.
E o Tigres perdeu para o River Plate em 2015.
Portanto, apesar de nunca ter conquistado a taça, o México já deixou uma marca importante na competição.
O retorno seria bom para os clubes brasileiros?
Provavelmente, também haveria benefícios.
Os clubes brasileiros teriam novos adversários e novos mercados.
Confrontos contra equipes mexicanas poderiam gerar partidas de grande audiência e aumentar receitas comerciais.
Além disso, seria uma oportunidade para os clubes brasileiros enfrentarem diferentes estilos de futebol.
O futebol mexicano possui características diferentes das escolas brasileira e argentina, o que poderia tornar a competição ainda mais diversificada.
Mas existe uma questão financeira
A possibilidade de mexicanos na Libertadores também envolve dinheiro.
Os clubes da Liga MX possuem forte capacidade comercial e grandes contratos de televisão.
A entrada deles poderia aumentar o valor comercial da competição, especialmente no mercado norte-americano.
É justamente por isso que o assunto ultrapassa a questão esportiva.
Não se trata apenas de colocar alguns clubes mexicanos em campo.
Existe uma discussão sobre mercado, televisão, patrocínio, audiência e internacionalização da Libertadores.
Ainda não há acordo
Apesar de toda a movimentação, é importante deixar claro que o México ainda não está de volta à Libertadores.
O pedido foi apresentado e a Liga MX pretende continuar insistindo.
Por enquanto, porém, a Fifa já rejeitou a solicitação inicial, e as questões envolvendo Concacaf e Conmebol continuam sem uma solução definitiva.
Portanto, qualquer anúncio de retorno confirmado para 2028 seria prematuro neste momento.
Uma decisão que pode mudar a Libertadores
O possível retorno dos mexicanos seria uma das maiores mudanças na história recente da competição.
Depois de dez anos afastados, os clubes do México querem novamente enfrentar os gigantes sul-americanos.
A intenção existe.
O pedido já foi feito.
Mas o caminho ainda é longo.
Se Liga MX, Concacaf, Conmebol e Fifa chegarem a um acordo, a Libertadores poderá ganhar novamente clubes mexicanos a partir de 2028. Até lá, o projeto continua sendo uma possibilidade em negociação — e não uma decisão oficial.
Para o futebol sul-americano, seria uma mudança significativa. Para os mexicanos, uma oportunidade de recuperar um espaço que já ocuparam durante quase duas décadas. E para a Libertadores, poderia significar a chegada de novos grandes mercados, confrontos e histórias.
