México quer voltar à Libertadores

México quer voltar à Libertadores em 2028


 A possibilidade de clubes mexicanos voltarem a disputar a Copa Libertadores ganhou força nos últimos dias. A Liga MX e a Federação Mexicana de Futebol voltaram a trabalhar para recuperar o espaço que o país teve durante quase duas décadas na principal competição de clubes da América do Sul.

O presidente da Liga MX, Francisco Iturbide, confirmou que foram feitos pedidos formais à Concacaf e à Fifa para que equipes mexicanas possam retornar às competições organizadas pela Conmebol, principalmente como convidadas.

Apesar da movimentação, o projeto ainda está em uma fase inicial e enfrenta um obstáculo importante: a Fifa já sinalizou negativamente ao pedido inicial, seguindo uma orientação de evitar competições continentais com clubes pertencentes a confederações diferentes.

México quer voltar ao cenário sul-americano

Os clubes mexicanos participaram da Libertadores entre 1998 e 2016.

Durante esse período, equipes como Cruz Azul, Chivas Guadalajara e Tigres chegaram a disputar finais da competição, mas nenhuma conseguiu conquistar o título.

O Cruz Azul foi vice-campeão em 2001, o Chivas perdeu a decisão de 2010 e o Tigres terminou como vice em 2015.

A saída aconteceu em meio a mudanças no calendário da Libertadores e dificuldades para conciliar as partidas da competição com o calendário mexicano. Em 2016, os clubes mexicanos fizeram suas últimas participações.

Agora, uma década depois, a Liga MX tenta reabrir essa porta.

Pedido já foi feito

De acordo com Francisco Iturbide, a Liga MX e a Federação Mexicana já apresentaram solicitações à Concacaf e à Fifa.

A ideia é que os clubes mexicanos possam participar como convidados das competições sul-americanas.

O projeto não envolve apenas a Libertadores. A intenção também inclui a possibilidade de participação na Copa Sul-Americana.

O problema é que a Fifa atualmente trabalha com uma política que dificulta a participação de clubes de diferentes confederações em uma mesma competição continental.

Por isso, o retorno não depende apenas de uma decisão da Conmebol.

E a Conmebol?

A situação é justamente onde existe uma das maiores possibilidades de negociação.

A Liga MX precisa convencer diferentes entidades para que o projeto avance.

O México pertence à Concacaf, enquanto a Libertadores é organizada pela Conmebol.

Por isso, uma eventual volta exigiria um acordo que envolvesse as duas confederações e a Fifa.

A Conmebol aparece como uma possível interessada no retorno, principalmente pelo potencial comercial e esportivo que os clubes mexicanos podem acrescentar à competição. Mas, até o momento, não existe um acordo oficial que confirme a participação mexicana.

Por que o México quer voltar?

A justificativa apresentada pelos dirigentes mexicanos é principalmente esportiva.

A Liga MX entende que seus clubes precisam de mais confrontos internacionais de alto nível.

Atualmente, os principais clubes mexicanos enfrentam adversários da Concacaf, especialmente em competições regionais, mas a Libertadores proporcionaria confrontos contra gigantes como Flamengo, Palmeiras, River Plate, Boca Juniors, Atlético-MG e outros clubes tradicionais do futebol sul-americano.

A experiência também poderia ajudar na evolução dos próprios jogadores.

Uma Libertadores com mexicanos seria mais forte?

Essa é uma das principais discussões.

A entrada de clubes mexicanos acrescentaria um novo mercado à competição.

O México possui uma das maiores economias esportivas das Américas e clubes com grande capacidade comercial.

Equipes como Club América, Chivas, Tigres, Monterrey e Cruz Azul possuem torcidas numerosas e forte presença comercial.

A entrada dessas equipes poderia aumentar o interesse internacional pela Libertadores.

Também existiria um impacto potencial nos direitos de transmissão e patrocínios.

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O histórico mexicano pesa

Não seria uma novidade absoluta.

Os clubes mexicanos já demonstraram que conseguem competir na Libertadores.

O Tigres, por exemplo, chegou à final de 2015.

O Chivas também alcançou a decisão em 2010.

E o Cruz Azul disputou a final de 2001.

Ou seja, existe um histórico de competitividade.

O retorno também permitiria recuperar uma rivalidade que marcou a Libertadores durante os anos 2000 e início dos anos 2010.

A grande barreira é a Fifa

No momento, esse é o principal problema.

Segundo as declarações de Iturbide, a negativa inicial está relacionada justamente à orientação da Fifa para que competições de clubes organizadas pelas confederações não misturem equipes de diferentes regiões.

Isso significa que a Liga MX terá de convencer não apenas a Conmebol, mas também a Concacaf e a Fifa.

A entidade mexicana, porém, não pretende abandonar o projeto.

A ideia é continuar negociando e encontrar um modelo que permita a participação sem comprometer o calendário das competições da Concacaf.

E 2028?

A possibilidade de um retorno em 2028 aparece como um horizonte discutido para o projeto, mas é importante fazer uma ressalva: não existe, neste momento, confirmação oficial de que clubes mexicanos disputarão a Libertadores de 2028.

As conversas ainda estão em fase inicial e o pedido enfrenta resistência.

Portanto, tratar 2028 como uma data definida seria precipitado.

O cenário atual é de negociação.

O que precisaria acontecer?

Para o projeto avançar, alguns pontos precisariam ser resolvidos.

1. Fifa:
A entidade teria de aceitar uma exceção ou alterar sua orientação sobre a participação de clubes de diferentes confederações.

2. Concacaf:
A confederação da América do Norte precisaria autorizar seus clubes a disputar uma competição organizada pela Conmebol.

3. Conmebol:
A entidade sul-americana precisaria definir como seriam as vagas mexicanas e o formato da participação.

4. Calendário:
Seria necessário encontrar espaço para os jogos sem prejudicar as competições nacionais e da Concacaf.

5. Formato:
Ainda seria necessário definir se os mexicanos entrariam como convidados ou através de algum sistema específico de classificação.

O calendário é um dos grandes desafios

Esse ponto foi um dos motivos que dificultaram a permanência mexicana na Libertadores no passado.

O futebol mexicano possui seu próprio calendário, enquanto a Libertadores exige uma grande quantidade de partidas durante a temporada.

Além disso, os clubes mexicanos disputam competições da Concacaf e torneios nacionais.

Uma eventual volta precisaria encontrar uma solução para evitar uma sobrecarga de jogos.

A Libertadores também ganharia novos confrontos

Imagine uma fase de grupos com:

Flamengo x América-MEX

Palmeiras x Tigres

River Plate x Monterrey

Boca Juniors x Chivas

Seriam confrontos com enorme potencial de audiência.

Além da rivalidade esportiva, existiria uma disputa comercial importante.

O México possui um mercado consumidor gigantesco e uma forte presença no futebol internacional.

Por isso, a possível volta dos mexicanos pode interessar não apenas aos clubes, mas também aos organizadores da competição.

A Libertadores pode se tornar mais internacional

A discussão acontece justamente em um momento em que as grandes competições de clubes estão buscando ampliar seu alcance.

A própria Libertadores já possui uma dimensão continental muito forte, mas a presença mexicana poderia aumentar ainda mais a exposição internacional do torneio.

Por outro lado, existe uma discussão importante sobre identidade.

A Libertadores foi criada como uma competição entre clubes da América do Sul.

A entrada de equipes de outras confederações poderia abrir um precedente para novas mudanças no futuro.

México já teve grandes campanhas

A história mexicana na Libertadores não foi pequena.

Os clubes do país disputaram três finais e chegaram muito perto do título.

O Cruz Azul perdeu para o Boca Juniors em 2001.

O Chivas foi derrotado pelo Internacional em 2010.

E o Tigres perdeu para o River Plate em 2015.

Portanto, apesar de nunca ter conquistado a taça, o México já deixou uma marca importante na competição.

O retorno seria bom para os clubes brasileiros?

Provavelmente, também haveria benefícios.

Os clubes brasileiros teriam novos adversários e novos mercados.

Confrontos contra equipes mexicanas poderiam gerar partidas de grande audiência e aumentar receitas comerciais.

Além disso, seria uma oportunidade para os clubes brasileiros enfrentarem diferentes estilos de futebol.

O futebol mexicano possui características diferentes das escolas brasileira e argentina, o que poderia tornar a competição ainda mais diversificada.

Mas existe uma questão financeira

A possibilidade de mexicanos na Libertadores também envolve dinheiro.

Os clubes da Liga MX possuem forte capacidade comercial e grandes contratos de televisão.

A entrada deles poderia aumentar o valor comercial da competição, especialmente no mercado norte-americano.

É justamente por isso que o assunto ultrapassa a questão esportiva.

Não se trata apenas de colocar alguns clubes mexicanos em campo.

Existe uma discussão sobre mercado, televisão, patrocínio, audiência e internacionalização da Libertadores.

Ainda não há acordo

Apesar de toda a movimentação, é importante deixar claro que o México ainda não está de volta à Libertadores.

O pedido foi apresentado e a Liga MX pretende continuar insistindo.

Por enquanto, porém, a Fifa já rejeitou a solicitação inicial, e as questões envolvendo Concacaf e Conmebol continuam sem uma solução definitiva.

Portanto, qualquer anúncio de retorno confirmado para 2028 seria prematuro neste momento.

Uma decisão que pode mudar a Libertadores

O possível retorno dos mexicanos seria uma das maiores mudanças na história recente da competição.

Depois de dez anos afastados, os clubes do México querem novamente enfrentar os gigantes sul-americanos.

A intenção existe.

O pedido já foi feito.

Mas o caminho ainda é longo.

Se Liga MX, Concacaf, Conmebol e Fifa chegarem a um acordo, a Libertadores poderá ganhar novamente clubes mexicanos a partir de 2028. Até lá, o projeto continua sendo uma possibilidade em negociação — e não uma decisão oficial.

Para o futebol sul-americano, seria uma mudança significativa. Para os mexicanos, uma oportunidade de recuperar um espaço que já ocuparam durante quase duas décadas. E para a Libertadores, poderia significar a chegada de novos grandes mercados, confrontos e histórias.

Bruno Santana

Formado em Análise e Desenvolvimento de sistemas , mas apaixonado por futebol e escritos nas horas vagas

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